domingo, março 01, 2009

A Webquest: Evolução e reflexo na formação e na investigação em Portugal

A Webquest: Evolução e reflexo na formação e na investigação em Portugal

(síntese pessoal do artigo de Ana Amélia Amorim Carvalho (2007) - Universidade do Minho)




Já longe vai o ano de 1995, onde Bernie Dodge e Tom March conceberam a Webquest, cujo principal objectivo era tirar partido da imensa informação disponível online para a construção de recursos educativos.


Bernie Dodge, em 2006 no encontro sobre Webquests, menciona no seu texto WebQuests: Past, Present and Future, que quando se fala do ano de 1995 parece que vai á um século atrás, no entanto, a Web continua como novidade a muita gente. Menciona igualmente que as universidades começam agora a colocar materiais online, mas as escolas secundárias ainda se encontram muito primitivas no campo de ensino e aprendizagem tendo em conta a utilização da Web.

Este texto de Bernie Dodge é um espelho de uma realidade passada embora bastante marcada no nosso presente, de como a presença da Web no processo de ensino apenas alterou ligeiramente alguns processos, tais como em vez de se investigar nas bibliotecas agora investiga-se através a partir de um dos motores de busca.

É claramente do senso comum que a Web é fonte que parece inesgotável em termos da quantidade de informação sob os diversos formatos e multiplicidade de temas, à distância de alguns cliques do rato.

É evidente que a Web acarreta de igual modo problemas ao nível seriação e avaliação da informação disponível, quer pela sua imensidão, credibilidade, exactidão e pela dispersão que pode provocar conduzindo a pesquisa em direcções não planeadas.

Quem ainda não ouviu um aluno dizer “É verdade professor, eu vi isso na net….!!”, ora se está na net é porque deve ser verdade dizem eles, mesmo que seja a maior das mentiras.

No entanto, e tal como Tito de Morais faz slogan no seu site miudossegurosna.net, é preciso “Minimizar os Riscos e Maximizar os Benefícios “, alertando-nos para uma necessidade de estratégias de modo a facilitar o acesso à informação relevante, e a partir dela produzirmos conhecimento. Uma da estratégia é sem dúvida a utilização das Webquests.

Embora criada há pouco tempo, talvez pelo impacto e aceitação obtida, as Webquests tem sofrido uma evolução bastante grande principalmente na nomenclatura dos seus componentes, na orientação da concepção e avaliação da tarefa e estrutura do processo.

A WebQuest surge na conjugação de três vertentes que se complementam, sendo estas vertentes a pesquisa de recursos estando subjancente a pesquisa, selecção e avaliação de informação, a aprendizagem encarada como desafio e como construção e como pensamento de nível elevado e a tecnologia onde depois de estruturada deve ser implementada e disponibilizada online tendo por base os princípios básicos da elaboração destes trabalhos.

Em todas estas vertentes está subjacente um domínio do conteúdo da webquest, onde deve promover motivação ao aluno, o pensamento crítico e de nível avançado, a aprendizagem cooperativa e o desempenho de diferentes papéis, centrando-se em fontes e em tarefas autênticas (March, 1998). Uma verdadeira WebQuest é real, rica e relevante (March, 2003).

Constituída por 6 componentes, introdução, tarefa, processo, avaliação, conclusão e uma página de ajuda ao professor, segundo Dodge o componente mais importante é a tarefa onde se destacam dois aspectos fundamentais, a primeira prende-se com a classificação da tarefa desenvolvida por Dogde (2002) onde podemos delinear a mesma a partir da “webquest Taskonomy” e a avaliação da tarefa (Bellofatto e tal.,2001a).

Visite os seguintes Websites para mais informações:

“Não te dou o peixe, mas ensino-te a pescar!”, esta expressão pode de uma maneira simbólica representar a postura do professor e na missão de ajudar os alunos a crescerem, a terem oportunidade de aprenderem por eles mesmo, tornando-se responsáveis, autónomos e com capacidades de tomar decisões. Como tal, uma webquest bem elaborada gera dinâmica de grupo, espírito colaborativo, responsabilidade e autonomia de aprendizagem.

O aluno deve assumir a responsabilidade de seguir as orientações propostas, e empenhar-se na organização e dinâmica de grupo e no trabalho colaborativo.

As webquest podem ir aumentando de complexidade, duração e dificuldade com o tempo, sendo sempre importante a apresentação do trabalho resultante à turma que, para além de desenvolver a capacidade de se exporem, observam outras formas de abordagem ao problema, ganham hábitos de ouvir as criticas dos colegas e criticarem os trabalhos dos outros, numa perspectiva construtiva.

Como conclusão, não podemos encarar a webquest como a solução para todos os problemas de ensino, mas pode ser uma ferramenta facilitadora e diferente para a abordagem ao ensino, principalmente naquelas áreas ou temas onde a dificuldade de passar a mensagem é maior.

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